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Post sobre infância EM

Esclerose Múltipla na Infância: Quais são os fatores de risco?

A esclerose múltipla pediátrica é uma condição crônica autoimune que atinge de 3% a 10% da população portadora de esclerose múltipla (EM), sendo diagnosticada entre jovens com idade inferior a 18 anos.

Em relação aos fatores de risco envolvidos com a EM pediátrica: você sabe quais estão associadas ao desenvolvimento dessa condição? Evitá-los pode impedir o aparecimento da doença? Seriam esses fatores semelhantes para os adultos?

Começamos com muitas perguntas, mas vamos responder cada uma delas ao decorrer do texto.

Fatores de risco da Esclerose Múltipla Pediátrica (EMP)

Graças a muitas pesquisas, ao longo do tempo foi possível compreender melhor os fatores de risco relacionados com a esclerose múltipla pediátrica (EMP) e assim averiguar o impacto da manutenção deles na ocorrência da condição.

Fumaça de tabaco e derivados

Um dos primeiros estudos, em 2007, revelou que a inalação passiva de fumaça de cigarro pode estar fortemente relacionada com o desenvolvimento da EMP, já que crianças com pais tabagistas demonstram ter duas vezes mais propensão em apresentar a doença¹. Pesquisas recentes reforçam essa informação!². Consideramos este dado um ponto importante para combatermos ainda mais o tabagismo.

Vírus Epstein-Barr

No ano de 2011 chamou a atenção um estudo que demonstrou a associação entre esclerose múltipla pediátrica e infecções pelo EBV, ou vírus Epstein-Barr, microrganismo da família do herpes vírus transmitido com recorrência entre humanos. Em 2013 e 2018 essa hipótese foi reforçada quando o EBV foi descrito como um fator de risco da EM tanto em crianças quanto em adultos.

Obesidade

Aparentemente, a obesidade infantil e os altos índices de massa corporal também aumentam o risco do indivíduo desenvolver tanto a esclerose múltipla quanto a síndrome clínica isolada. A princípio, em 2013, essa correlação tinha sido averiguada apenas entre meninas, mas em 2015 foi comprovada também entre meninos.

Vitamina D

Um estudo de 2014 demonstrou que pessoas com esclerose múltipla possuem baixa concentração de vitamina D, independente da idade. Mas a baixa dosagem, por si só, seria um risco para a expressão da EM e EMP?

Ainda não temos a conclusão para essa hipótese, mas a vitamina D e outros fatores (como a idade do primeiro ciclo menstrual, local de moradia, tipo de dieta alimentar e cuidados maternos durante a gravidez) continuam sendo averiguados como possíveis riscos envolvidos com a patologia.

De qualquer maneira, sabe-se que a baixa concentração de vitamina D prejudica o quadro da EM, portanto recomenda-se sua suplementação caso não consiga a obtenção através da exposição solar adequada . Você pode encontrar mais informações sobre isso neste link.

Genes

Fatores genéticos estão diretamente relacionados com o desenvolvimento da EM, tanto em crianças quanto em adultos. Várias análises recentes (de 2016, 2017), e outras ainda em andamento, estão verificando não apenas os genes isoladamente, mas a interação entre eles e também sua interação com o ambiente. Esse fator pode ser um dos mais importantes na expressão da doença.

Herbicidas e Raticidas

Recentemente, em 2018, dados demonstraram que o contato direto ou indireto de crianças com diversos produtos químicos, como herbicidas e raticidas, duplica o risco de desenvolvimento da esclerose múltipla pediátrica ³. Estes dados nos mostram a importância de se fazer o uso racional e muito controlado desse tipo de produto.

Quais são as conclusões até o momento?

Voltando ao questionamento: Evitar esses fatores de risco impede que crianças sejam acometidas pela esclerose múltipla?

Bem, não se pode afirmar que apenas evitando os fatores citados acima seria o suficiente para o não aparecimento da esclerose múltipla, mas o risco de agravamento diminui. Além do que, evitar essas ações propicia uma melhor qualidade de vida no geral.

Portanto, a indicação é que se controle os fatores de risco modificáveis e evitáveis, como: a obesidade, baixa exposição solar e níveis baixos de vitamina D, exposição ao cigarro, herbicidas, raticidas etc. Isso tanto para crianças saudáveis quanto as já acometidas pela EMP.

Como a incidência de esclerose múltipla pediátrica é muito reduzida em comparação à EM em adultos, não conseguimos ainda tantas respostas quanto gostaríamos, ainda há muito para ser esclarecido. Enquanto isso, mais estudos estão sendo desenvolvidos e possivelmente, em breve, surgirão mais informações sobre o tema para compartilharmos por aqui.

Referências

  1. MIKAELOFF, Y.; CARIDADE, G.; TARDIEU, M.; SUISSA, S. KIDSEP study group. Parental smoking at home and the risk of childhood-onset multiple sclerosis in children. Brain. 2007;130:2589-2595.
  2. LAVERY, A, M.; COLLINS, B, N.; WALDMAN, A, T. et al. The contribution of secondhand tobacco smoke exposure to pediatric multiple sclerosis risk. Mult Scler. 2019;25(4):515-522.
  3. MAR, S.; LIANG, S.; WALTZ, M. et al. Several household chemical exposures are associated with pediatric-onset multiple sclerosis. Ann Clin Transl Neurol. 2018 Oct 9;5(12):1513-1521.
  4. Multiple Sclerosis Association of America (MSAA). Risk Factors for Pediatric MS Coming into Sharper Focus. 2019. Acesso em: https://mymsaa.org/publications/motivator/summer-fall19/cover-story/risk
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Avaliação do Artigo

Doutorado em Ciências (Neurologia) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É atualmente Professor Adjunto do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina. Em sua formação possui Pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia.


Neurologista e pesquisador do Centro de Investigação de Esclerose Múltipla da Universidade Federal de Minas Gerais (CIEM-UFMG). Possui Doutorado em Medicina pela UFMG, com ênfase em Esclerose Múltipla.

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