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Imagem Post 17 maio

Tratamento com medicamentos para esclerose múltipla e coronavírus: novas descobertas

As Drogas modificadoras de doença (DMD), também conhecidas como imunomoduladores ou imunossupressores, são amplamente utilizadas no tratamento da esclerose múltipla (EM) e de outras doenças crônicas autoimunes. Essa categoria de medicamentos têm a capacidade de suprimir e modular respostas imunológicas e controlar inflamações desencadeadas por autoanticorpos.

Porém, em março de 2020, a ‘Federação Internacional de esclerose Múltipla’ alertou sobre os possíveis riscos de se utilizar DMD’s em pacientes infectados pelo coronavírus, havendo suspeitas de que essa classe de medicamentos agravaria os quadros de covid-19 devido ao seu mecanismo de ação.

Mas afinal, os imunomoduladores têm a capacidade de aumentar ou agravar os quadros de infecção por SARS-CoV-2? A esclerose múltipla, isoladamente, é considerada um fator de risco para essa infecção?

Para responder a essas perguntas, pesquisadores franceses desenvolveram um novo estudo sobre pacientes de EM que foram também infectados por covid-19 ¹. Você vai descobrir os resultados dessa pesquisa a segui

Novas informações sobre imunossupressores e coronavírus

O estudo publicado em junho deste ano, na JAMA Neurology (Journal of the American Medical Association), avaliou 347 pacientes – com diversos níveis de progressão da esclerose múltipla – acometidos pelo vírus Sars-CoV-2. Grande parte do grupo estava hospitalizada em decorrência da infecção viral.

Contrariando a hipótese divulgada em março, a maior parte dos óbitos se relacionou a pacientes que não utilizavam drogas modificadoras de doença. Aliás, os imunossupressores foram associados com menores índices de internação e de óbitos em hospitalizados.

Quais seriam os riscos para pacientes com esclerose múltipla?

De acordo com o estudo, os fatores de risco que realmente demonstram contribuir para o agravamento da infecção viral em indivíduos com EM são:

Idade avançada.

Estado progressivo da doença,

Presença de comorbidades (diabetes, doenças cardiovasculares, doenças pulmonares e a obesidade).

Alto valor na Escala Expandida do Estado de Incapacidade (EDSS)*.

A maior parte desses fatores também se configura como risco para a população não portadora de esclerose múltipla, o que reforça a importância de um cuidado ampliado da condição de saúde.

*A escala EDSS é a avaliação, e posterior quantificação, do grau de dificuldade nas funções motoras e cognitivas do paciente com EM. Os valores variam de zero a dez.

Novas Conclusões

É importante que mais estudos como este sejam realizados, certificando que há repetição no padrão de resultados e que eles se aplicam para todos os imunomoduladores.

Com as informações obtidas até aqui, não há indícios que o agravamento da covid-19 decorra da utilização de drogas modificadoras de doença, portanto, a retirada da medicação não é necessária ou aconselhável – principalmente para os pacientes de EM com atividade inflamatória alta, incapacidade física e recorrência de surtos.

A partir de uma prescrição racional e de acompanhamento médico, o uso de imunomoduladores se torna um fator de proteção para os pacientes com esclerose múltipla. Portanto, o tratamento não deve ser interrompido em decorrência do coronavírus.

Referências

  1. LOUAOPRE, C. et al. Clinical Characteristics and Outcomes in Patients With Coronavirus Disease 2019 and Multiple Sclerosis. JAMA Neurol. doi:10.1001/jamaneurol.2020.2581. Jun. 2020.
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Avaliação do Artigo

Doutorado em Ciências (Neurologia) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É atualmente Professor Adjunto do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina. Em sua formação possui Pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia.


Neurologista e pesquisador do Centro de Investigação de Esclerose Múltipla da Universidade Federal de Minas Gerais (CIEM-UFMG). Possui Doutorado em Medicina pela UFMG, com ênfase em Esclerose Múltipla.

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