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Cadeias leves livres

Esclerose Múltipla – dos sintomas ao diagnóstico precoce

Receber o diagnóstico de Esclerose Múltipla (EM) não é fácil. Inicialmente, causa espanto, justamente porque os primeiros sintomas podem ser bem discretos e intermitentes. Como na maioria das vezes aparecem e somem, o paciente desconfia de algo passageiro e nem chega a procurar o médico.

Outro ponto que gera espanto e desencadeia muitos questionamentos é que o nome esclerose, em geral, é associado a uma “doença de velho”. No entanto, acomete pessoas de 20 a 40 anos, mais frequentemente. E é mais comum em mulheres e em pessoas de pele branca.

As causas da Esclerose Múltipla ainda são desconhecidas. O que se sabe é que resulta de uma combinação de fatores próprios do indivíduo com fatores ambientais e sua evolução difere de uma pessoa para outra, daí a importância de fazer o monitoramento da doença. A jornada do paciente com EM não é realmente muito fácil, mas há caminhos e formas de deixá-la menos tortuosa.

Primeiros sintomas

Os sintomas da Esclerose Múltipla variam de acordo com os locais afetados do sistema nervoso e os danos causados. Para muitos pacientes a fase inicial da doença pode ser bastante sutil e os sinais e sintomas, em geral, transitórios, o que faz com que o paciente não dê tanta importância a eles. E, ainda, como duram poucos dias, não causam alerta e são atribuídos a um mal-estar passageiro. Mesmo quando retornam.

O paciente só começa a se preocupar se algum sintoma mais grave aparece. Quando um dia ele acorda, olha para um objeto e enxerga dois, o alerta vermelho se acende. A visão dupla está entre os sintomas mais frequentes, ao lado da perda de sensibilidade, perda de força nas mãos ou nas pernas, fadiga, formigamentos e até falta de equilíbrio. Essas já são indicações de que certos locais específicos do sistema nervoso central estão comprometidos.

Diagnóstico

O diagnóstico da Esclerose Múltipla envolve uma minuciosa história clínica e exame físico, aliados à utilização de vários marcadores laboratoriais, especialmente para se descartar outras doenças. A ressonância magnética (RM) é um dos exames solicitados pelos neurologistas, além de exames no sangue, urina e líquor (LCR, líquido cefalorraquidiano).

Com a aplicação da tecnologia na área da saúde, contudo, hoje estão disponíveis testes mais avançados, especialmente quando se fala do exame do líquor. Por exemplo, foi possível desenvolver um exame bastante apurado, capaz de ajudar no diagnóstico rápido e preciso, conhecido como Freelite® Mx, desenvolvido pela empresa Binding Site, especificamente para amostras de líquor.

O teste Freelite Mx já está disponível em dois laboratórios especializados em líquor: Neurolife e Senne. Amostras de pacientes de diversos Estados têm sido enviadas para realização nestes locais.

A Esclerose Múltipla não tem cura, mas com o diagnóstico precoce e tratamento correto pode-se aliviar bem os sintomas, mudando o curso da doença, que necessita de monitoramento constante.

Um pouco sobre a tecnologia da Binding Site

Na vanguarda da pesquisa médica, a Binding Site desenvolve testes laboratoriais para ajudar no diagnóstico e monitoramento das doenças, bem como para fornecer informações prognósticas em várias condições diferentes.

O Freelite®, teste já muito conhecido principalmente dos hematologistas, tem importância clínica demonstrada em mais de 3 mil publicações científicas. É o único kit comercial recomendado pelas Diretrizes Internacionais e Brasileiras para a dosagem de Cadeias Leves Livres Kappa (κ) e Lambda (λ) em soro (no sangue).

Os “anticorpos policlonais” do teste reagem apenas com as formas livres das cadeias leves proporcionando uma medição quantitativa de κ e λ livres no soro, cujo resultado pode ser utilizado para diagnóstico e monitoramento de pacientes com uma condição conhecida como “Mieloma Múltiplo” e ainda outras “gamopatias monoclonais”. Diferentemente da EM, o “Mieloma” é um tipo de câncer e que ocorre mais frequente em pessoas acima dos 50 anos.

Já o teste Freelite® Mx, específico para amostras de líquor, pode auxiliar no entendimento de questões relacionadas a outros métodos, como a pesquisa das bandas oligoclonais (BOC), contribuindo para o diagnóstico preciso da Esclerose Múltipla.

O Freelite® poderia auxiliar o médico além do diagnóstico?

Com os estudos realizados, o auxílio ao neurologista ocorre na medida em que o Freelite® Mx sinaliza não somente a presença, mas também a quantidade destas cadeias leves livres no líquor. Isso poderia implicar na pior evolução nos casos de níveis mais elevados destas cadeias leves.

Pesquisas iniciais sugerem que, apesar de não ser um substituto para as bandas oligoclonais (BOC), o teste seja um marcador capaz de predizer incapacidade precoce na EM.

Esta informação adicional, juntamente aos demais exames realizados, poderá beneficiar o paciente, contribuindo para não somente auxiliar no diagnóstico, mas também no prognóstico (evolução), com a escolha do melhor tratamento e diminuição de possíveis sequelas futuras, uma vez que se pode, de forma mais precisa, identificar os casos com maior gravidade.

Referências

Vecchio D, Crespi I, Virgilio E, et al. Kappa free light chains could predict early disease course in multiple sclerosis. Mult Scler Relat Disord. 2019;30:81-84. doi:10.1016/j.msard.2019.02.001

Salavisa M, Paixão P, Ladeira AF, et al. Prognostic value of kappa free light chains determination in first-ever multiple sclerosis relapse. J Neuroimmunol. 2020;347:577355. doi:10.1016/j.jneuroim.2020.577355

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Doutorado em Ciências (Neurologia) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É atualmente Professor Adjunto do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina. Em sua formação possui Pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia.


Neurologista e pesquisador do Centro de Investigação de Esclerose Múltipla da Universidade Federal de Minas Gerais (CIEM-UFMG). Possui Doutorado em Medicina pela UFMG, com ênfase em Esclerose Múltipla.

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