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Os 5 problemas psiquiátricos mais frequentes na esclerose múltipla 1

Os 5 problemas psiquiátricos mais frequentes na esclerose múltipla

A saúde mental já era um tema de extrema importância mesmo antes da pandemia pela COVID-19, ainda mais nos dias atuais. Para pessoas com esclerose múltipla (EM) torna-se ainda mais relevante. Isso porque as doenças psiquiátricas são, infelizmente, mais comuns na EM e sua presença pode prejudicar, e muito, a qualidade de vida, fadiga e mesmo a adesão ao tratamento.

Quando se fala em psiquiatria e saúde mental estamos falando em sentimentos, pensamentos e experiências que são consequências de nossa atividade cerebral, assim como a visão, audição e nossos movimentos.

Como a EM é uma doença inflamatória do sistema nervoso central, dá para imaginar que ela também possa ter impacto na saúde mental. Uma avaliação psiquiátrica, nesse contexto, pode ajudar a distinguir entre saúde e doença e, se necessário, estabelecer o tratamento adequado.

Dentre as principais doenças psiquiátricas temos a depressão, ansiedade, transtorno afetivo bipolar (TAB), transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e esquizofrenia. Abaixo vamos falar um pouco de cada uma delas.

Depressão

A depressão é um problema comum. Na população geral pode ser encontrada em até 20%, enquanto na EM esse número pode chegar a pouco mais de 30%.

Seus sintomas são principalmente: tristeza, choro, perda de prazer em atividades do dia a dia, fadiga, sentimento de culpa, pensamentos negativos, sonolência ou mesmo insônia, aumento ou perda de apetite, e até pensamentos de morte.

Nem todos os sintomas estão presentes em uma mesma pessoa, e a intensidade deles também pode variar. Assim o quadro muda bastante de pessoa para pessoa, assim como também varia o tratamento. Às vezes diferenciar a depressão de outros problemas é um desafio.

Fato é que a depressão é uma doença que tem tratamento. Sem dúvida não é falta de “força de vontade” ou “frescura” como lamentavelmente alguns leigos ainda pensam.

Ansiedade

A ansiedade é ainda mais comum que a depressão. Na população geral chega a 29.6% o número de indivíduos afetados, já nas pessoas com EM aos marcantes 35.6%.

Ela pode vir em crises ou mesmo ser uma sensação desagradável constante, causa sofrimento significativo e tem um impacto grande na qualidade de vida. Pode prejudicar o sono, a memória e até mesmo o raciocínio.

Existem diferentes quadros que chamamos de ansiedade, como por exemplo o transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico e ansiedade social. Todos eles, felizmente, têm tratamento.

Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)

Com frequência de 3.45% na população geral e 5.83% na EM, o TAB é caracterizado por instabilidade no humor, podendo ter períodos de depressão e de euforia, que varia desde um leve aumento na energia até pensamentos e comportamentos delirantes e grandiosos (como no filme “Mr. Jones”, com Richard Gere). O tratamento para o TAB corrige essas instabilidades que causam sofrimento e podem trazer riscos.

Esquizofrenia

Na EM o número de casos de pessoas com transtornos psicóticos, dos quais a esquizofrenia faz parte, é em geral um pouco maior do que o encontrado na população em geral. Há uma variação considerável entre os estudos, podendo chegar a 7.4%.

É uma condição complexa que pode envolver delírios e alucinações, prejuízo no contato social e na noção de realidade. Tem vários níveis de gravidade e o tratamento pode controlar os sintomas e a evolução da doença.

John Forbes Nash Jr., Prêmio Nobel de Economia (1994), por exemplo, tinha diagnóstico de esquizofrenia, relato incrível que aparece no filme “Uma mente brilhante”.

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

A frequência de TOC na EM pode chegar a 8.6%, enquanto na população geral é 2.5%. O TOC costuma ter impacto significativo para a pessoa, caracterizando-se por pensamentos geralmente indesejados (por exemplo de estar com a mão suja) e comportamentos repetitivos para tentar aliviar esses pensamentos (por exemplo lavar as mãos várias e várias vezes). Gera muito sofrimento. Tratamentos com medicação, terapia e outras abordagens ajudam a controlar bem a doença.

Concluindo, os transtornos psiquiátricos estão presentes na EM geralmente com frequência maior, causam sofrimento significativo e grande impacto na qualidade de vida, mas felizmente têm tratamento. O auxílio do psiquiatra, profissional que está mais preparado para identificar esses problemas, pode ajudar a restabelecer a saúde mental nestas situações, trabalhando em associação com psicólogos e outros terapeutas.

Referência
Sparaco M, Lavorgna L, Bonavita S. Psychiatric disorders in multiple sclerosis. J Neurol. 2019

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Psiquiatra e pesquisador clínico, é médico colaborador do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP. Possui residência em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP).

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