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Coronavirus

Coronavírus e sua importância para a comunidade de esclerose múltipla

O “novo coronavírus”, ou SARS-CoV-2, foi recentemente denominado pela Organização Mundial de Saúde como causador da COVID-19, uma doença respiratória que não tinha sido até então vista em humanos. Ele foi detectado pela primeira vez na China em dezembro de 2019 e desde então se espalhou para outras partes do mundo. Como o número de casos no Brasil vem aumentando dia a dia, vamos entender sua importância para pessoas com esclerose múltipla (EM).

O que o COVID-19 significa para pessoas que vivem com esclerose múltipla?

Como essa cepa do coronavírus é nova, ainda precisamos aprender mais sobre como ela pode afetar as pessoas com esclerose múltipla. Sabemos que muitas terapias modificadoras de doença para EM funcionam suprimindo ou modificando o sistema imunológico. Assim, as recomendações para pessoas vivendo com EM são baseadas principalmente na medicação que fazem uso. De acordo com o Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla e Doenças Neuroimunológicas (BCTRIMS), podemos resumir desta forma:

  • Interferon, Glatirâmer, Teriflunomida, Fumarato de Dimetila: essas medicações não aumentam de forma significativa o risco de infecções virais ou sua gravidade. Desta forma, é recomendado manter o tratamento durante a epidemia. Nos pacientes em uso de fumarato de dimetila aconselha-se realizar exames periódicos e, em casos de linfopenia (número total de linfócitos abaixo de 500), é prudente contactar sua equipe médica assistente e otimizar as medidas de prevenção de contágio. 
  • Fingolimode: O fingolimode aumenta o risco de contrair infecções virais e pode aumentar a gravidade destas infecções. Entretanto, sua suspensão abrupta pode levar a um “rebote” da atividade da EM com surtos potencialmente graves, além disso a recuperação da função normal do sistema imune pode levar algumas semanas. Desta forma, recomendamos a quem usa esta medicação acompanhamento regular, realizando os exames de sangue necessários (incluindo contagem de linfócitos) e um zelo especial na prevenção do contágio, o que pode incluir o home office ou afastamento temporário. Discuta com seu médico caso tenha mais dúvidas.
  • Natalizumabe: O natalizumabe pode aumentar o risco de infecções do sistema nervoso. Por ora, a recomendação inicial é de manter o tratamento, pois é provavelmente uma medicação segura nesse cenário. Uma alternativa que pode ser explorada na vigência da epidemia é a extensão do intervalo entre infusões de 28 para até 45 dias.
  • Ocrelizumabe, Rituximabe, Alemtuzumabe, Cladribina: essas modalidades de tratamento promovem alterações de longo prazo no sistema imune. Além de um risco maior de infecções virais e maior gravidade dessas infecções, o tempo para recuperação da imunidade é mais longo. Caso você esteja planejando iniciar um destes tratamentos, pode ser prudente adiar a primeira dose e discutir com sua equipe médica opções. Caso já esteja fazendo o tratamento e tenha uma nova infusão programada, também pode ser aconselhável adiar esta dose. Se tiver recebido recentemente o tratamento, cuidado redobrado com as medidas preventivas.

Assim, se você estiver tomando algumas das medicações listadas há a necessidade de um cuidado maior em relação à prevenção e, se for exposto ao COVID-19 ou tiver a infecção por COVID-19 confirmada, entrar em contato com o seu neurologista.

Quais são os sintomas do COVID-19 e como se proteger?

Os principais sintomas do COVID-19 incluem falta de ar, tosse e febre, que podem evoluir para pneumonia e raramente óbito.

Como é transmitida a COVID-19?

O principal meio de transmissão é entre pessoas, ou seja, ao tossir ou espirrar, pessoas infectadas expelem gotículas que contém o vírus. Essas gotículas podem contaminar superfícies e objetos. Outras pessoas podem se infectar ao tocar nesses locais contaminados, levando suas mãos aos olhos, nariz ou boca.

Recomendações gerais para a população

A Organização Mundial da Saúde fornece algumas medidas básicas para proteção contra o COVID-19. Esses incluem:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos.
  • Usar desinfetante para as mãos à base de álcool que contenha pelo menos 60% de álcool se sabão e água não estiverem disponíveis.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com mãos não lavadas.
  • Ao tossir e espirrar, cobrir a boca e o nariz com o cotovelo ou tecido
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes, mantendo pelo menos 1 metro de distância com estas pessoas

Recomendações específicas para a comunidade de esclerose múltipla no Brasil:

  • Considerar uso de máscara quando expostos a ambientes aglomerados, especialmente para aqueles em uso de imunossupressores caso haja novos casos descritos no Brasil.
  • Caso o paciente apresente sintomas típicos de gripe e história de contato prévio com paciente com diagnóstico confirmado de COVID-19 ou viagem nos últimos 14 dias para países com casos confirmados, considerar a suspensão temporária ou adiamento dos medicamentos imunossuopressores e entrar em contato com seu neurologista.

Existe vacina disponível contra o “novo coronavirus”?

Até o momento não dispomos de vacina para nos proteger contra o COVID-19. A melhor maneira de prevenir a infecção é evitar ser exposto ao vírus.

Existe tratamento contra o “novo coronavirus”?

Até o momento não dispomos de tratamento antiviral específico para o COVID-19. Pessoas com sintomas e diagnóstico confirmado para o COVID-19 é baseado no controle de sintomas, e tem como objetivo dar suporte clínico e tratar possíveis complicações.

O Ministério da Saúde disponibilizou aplicativo sobre o Coronavírus com as seguintes funcionalidades: informações, dicas, mapa de unidades de saúde, além de uma avaliação rápida sobre a relação de sintomas relatados com a definição de caso suspeito do vírus, que podem ser baixados nas lojas específicas: Android | iOS

Novas informações serão postadas e atualizadas aqui na página e em nossas redes sociais.

Dr. Rodrigo Kleinpaul e Dr. Thiago Junqueira