Bem Vindo  Siga-nos

Image Alt

Esclerose Múltipla

  /  Artigos   /  A importância da vitamina B12 na esclerose múltipla
Destaque vitamina b12

A importância da vitamina B12 na esclerose múltipla

A vitamina B12, também chamada de cobalamina, é uma vitamina de suma importância para o sistema nervoso, especialmente em indivíduos com esclerose múltipla. Desempenha relevante papel na síntese da mielina (capa de gordura que envolve os nervos) e na diminuição da toxicidade cerebral, pela sua ação antioxidante e por ser fundamental na diminuição da homocisteína plasmática (substancia neurotóxica). Além disso, a vitamina B12 participa do metabolismo de lipídios, proteínas e carboidratos.

Os alimentos de origem animal são suas únicas fontes naturais, incluindo: produtos lácteos, carnes, fígado, peixes e ovos. Destes, ela se encontra mais absorvível no frango, peixes e carne de carneiro. A sua recomendação de ingestão diária é de 2,4 microgramas/dia para pessoas acima de 14 anos sem comorbidades, o que se consegue com uma dieta bem balanceada. Nas condições crônicas como a esclerose múltipla (EM) sua demanda mostra-se aumentada, como veremos adiante.

Alguns estudos têm demonstrado diminuição da vitamina B12 em pacientes com EM, tanto no sangue quanto no líquido cefalorraquidiano. Além de ser fundamental para formação da bainha de mielina, a vitamina B12 tem efeitos imunomodulatórios e neurotróficos. Sua deficiência desestabiliza as estruturas da mielina e interrompe a mielinização, podendo dificultar e, até mesmo, interromper a transmissão de impulsos provocando contínua dificuldade em andar, no equilíbrio e na visão.

Para uma condição como a esclerose múltipla na qual a lesão à bainha de mielina é característica marcante, a deficiência de vitamina B12 pode ser crítica, especialmente em momentos como a recuperação de um surto.

Fatores que podem contribuir para baixos níveis de vitamina B12 na esclerose múltipla incluem a demanda aumentada das vitaminas do complexo B frente ao seu consumo excessivo decorrente da ativação e proliferação de células imunológicas e da necessidade constante de reparo da bainha de mielina dos neurônios.

Além disso, fatores exógenos, como medicamentos, podem levar à deficiência de vitamina B12. Exemplos incluem os frequentemente utilizados protetores gástricos como omeprazol e pantoprazol, e a metilprednisolona, usada em altas doses no tratamento dos surtos. Esta última leva à diminuição de vitamina B12 no líquido cefalorraquidiano.

Sua deficiência pode causar dor e fraqueza nos membros, dificuldade de andar, diminuição da percepção sensorial, perda de memória, anemia megaloblástica e anormalidades imunológicas. Em gestantes está associada a retardo do crescimento intrauterino e, nos bebês, problemas intestinais nos primeiros meses de vida.

Além das manifestações clínicas expostas acima, pode levar ao excesso de homocisteína, que se correlaciona em última instância a doenças cardiovasculares e neurodegenerativas. Tanto a vitamina B12 como a vitamina B9 (ácido fólico) participam da conversão da homocisteína para síntese de DNA e RNA. Desta forma evitam níveis elevados de homocisteína e, consequentemente, seus efeitos neurotóxicos, que podem culminar em morte celular.

Estudos mostram que muitos pacientes com esclerose múltipla têm as vitaminas B12 e B9 em baixa quantidade e, consequentemente, níveis aumentados de homocisteína. Há indícios inclusive de que o aumento da homocisteína poderia estar relacionado à piora da incapacidade, diante da observação de aumento dos pontos na EDSS (Escala Expandida do Estado de Incapacidade).

As exigências de vitamina B12 aumentam nas doenças crônicas, como a esclerose múltipla. Adicionalmente, estudos experimentais revelam que a suplementação de vitamina B12 está associada a resultados positivos na remielinização. Por outro lado, a deficiência deste nutriente tem se correlacionado à progressão da doença, pelos fatores explicados anteriormente.

Diante do exposto, faz-se mister o acompanhamento periódico dos níveis de vitamina B12, adequando sua suplementação às necessidades de cada um, que irá variar nos diferentes momentos e fases da doença. Níveis adequados deste nutriente são fundamentais para que os mecanismos de reparação possam agir e levar à melhora clínica dos déficits existentes.

**Colaborou para este texto o Dr. Thiago Junqueira.

0 0 vote
Avaliação do Artigo

Nutricionista pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), pós-graduanda em Nutrição Clinica Funcional pela Universidade Cruzeiro do Sul – Unicsul / VP – Consultoria Nutricional.

Assinar
Notificar de
10 Comentários
mais antigo
mais recentes mais votada
Inline Feedbacks
View all comments
Ana Cristina
3 anos atrás

Tenho interesse em receber artigos sobre esclerose multipla.
Grata

Thiago Junqueira
Admin
3 anos atrás
Reply to  Ana Cristina

Olá Ana, obrigado pelo interesse. Cadastre-se na nossa newsletter. Um abraço, Dr Thiago.

Carlos reis
Carlos reis
1 ano atrás

Olá boa tarde diagnosticado há poucos dias que tem esclerose múltipla preciso da sua ajuda Qual o melhor tratamento

Thiago Junqueira
Admin
1 ano atrás
Reply to  Carlos reis

Caro Carlos, o melhor tratamento dependerá de inúmeros fatores, sendo o principal deles a intensidade do quadro geral. Juntamente com o neurologista que lhe atender poderão chegar na melhor opção para você. Desejo melhoras!

Lilian Cristina
Lilian Cristina
1 ano atrás

Gostaria de recebe informações sobre a esclerose multipla.
Tomo vitamina D e B12 e não tenho especialista.

Thiago Junqueira
Admin
1 ano atrás

Olá Lilian, procure pelo centro de referência mais próximo de sua cidade. Desejo sucesso!

Jussara lourenço dos santos
Jussara lourenço dos santos
1 ano atrás

Boa tarde Dr Thiago, tenho lido suas postagens em relaçāo a Esclerose e tenho aprendido muito, minha filha com 28 anos foi diagnosticada agora em Outubro, eu como māe e leiga fiquei arrasada. Agora lendo sobre tenho tido mais calma. Obrigada por esclarecer.

Thiago Junqueira
Admin
1 ano atrás

Olá Jussara, agradeço imensamente seu reconhecimento. Muito obrigado. Tenha certeza de que juntos iremos vender a esclerose múltipla com informação e todos os tratamentos disponíveis. Desejo a ela muita saúde. Boas novidades por vir. Fraterno abraço

Adriana
Adriana
11 meses atrás

Excelente informação. Porém algo que poderia ser abordado é a relação da mutação dos genes MTHFR que dificultam a conversão da homocisteína. Assim como diz no texto que as vitaminas B12 e B9 geralmente estão em baixa nos pacientes com Esclerose Múltipla. O motivo real disso não seria a mutação genética dos genes MTHFR? Há estudos que pacientes com EM tem mutação nesses genes? Digo isso porque passei por uma experiência de aborto, ao fazer exames, descobri ser heterozigota em MTHFR 677T. No 1o ciclo menstrual após o aborto eu tive o que poderia ser chamado de surto da EM(porém… Leia mais

Thiago Junqueira
Admin
11 meses atrás
Reply to  Adriana

Olá Adriana, obrigado pelo comentário. Algumas variantes no gene da metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR) tem sido associada a níveis aumentados de homocisteína no sangue, sendo assim um fator de risco moderado para doença vascular. Níveis sanguíneos mais elevados de homocisteína também já foram relatados na EM. Assim, podemos imaginar que algumas mutações no gene MTHFR poderiam influenciar a suscetibilidade à EM. Mas precisamos lembrar que em medicina a associação entre duas condições não justifica relação causal entre elas, mas ao menos uma pista para a descoberta de fatores causais. Continue acompanhando o conteúdo. Abraços, Dr. Thiago Junqueira.