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Esclerose Múltipla
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Sinais e sintomas

A esclerose múltipla (EM) pode causar diversos sinais e sintomas, constituindo muitas vezes um grande desafio o seu reconhecimento tanto para a própria pessoa que os está apresentando – por serem brandos e não valorizados, como os quadros de alterações na sensibilidade – quanto para o médico, que deve realizar uma suspeita correta e encaminhamento apropriado.

Na EM, o revestimento dos neurônios – denominado de mielina – sofre o ataque por células do sistema imunológico, resultando na interrupção do fluxo normal dos impulsos elétricos ao longo das fibras nervosas. Justamente pelo fato deste dano poder ocorrer em diferentes locais os sintomas que cada um experimenta pode variar enormemente.

Estas áreas de mielina que sofreram com a inflamação são referidas como “lesões” ou “placas”. Às vezes, o dano é temporário e o organismo é capaz de fazer um reparo sem deixar sintomas, mas em outras vezes o dano é mais grave e se torna permanente. Daí a importância de se buscar tratamento o quanto antes.

Diante de alguma condição de saúde ficamos tentados em pensar que qualquer alteração no organismo esteja relacionada à doença. Sintomas da EM são imprevisíveis e variam de pessoa para pessoa, bem como de tempos em tempos, mas o tipo e a gravidade dos sintomas também serão afetados pelo fato de se estar cansado, com calor, em tratamento de algum processo infeccioso, etc. Lembre-se que os sintomas podem não estar necessariamente ligados à EM e se você tiver qualquer problema em curso, procure o conselho do seu médico.

A lista completa dos sintomas atribuídos à EM é extensa, devendo ser do conhecimento de todos, especialmente daqueles que foram recém diagnosticados, para que possam ser notificados ao seu neurologista caso ocorram. Entretanto, ​​existem tratamentos para ajudar a gerenciar quase todos os sintomas. Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, menores as chances de que novos sintomas se desenvolvam.

Um erro comum de alguns pacientes é aceitar os sintomas, especialmente os novos, como se não houvessem tratamentos. Deixar de falar com seu médico sobre um novo sintoma é um enorme erro. Busque sempre ajuda e esclarecimento. Estão listados abaixo os principais sintomas da EM. Logo em seguida, alguns autores tratam com mais profundidade sobre alguns deles nos textos relacionados.

 

Desequilíbrio

O processo de nos manter em pé é complexo e envolve quase todas as partes de nosso cérebro. O cerebelo desempenha um papel importante nesta tarefa e se for comprometido na EM o cérebro pode não ser capaz de compensar adequadamente o dano, gerando dificuldade em caminhar, por falta de equilíbrio. Outras estruturas além do cerebelo podem justificar alterações no equilíbrio. O termo médico para a perda de coordenação chama-se ataxia.

 

Alterações na bexiga e no intestino

Os problemas da bexiga e / ou intestino são muito comuns ao longo da vida, não somente daqueles com EM. Na EM, as mensagens entre o cérebro e bexiga ou o intestino podem tornar-se diminuídas. Uma interrupção das mensagens entre o cérebro e a bexiga / intestino pode resultar tanto em não se sentir a necessidade de ir ao banheiro, ou sentimentos de extrema urgência ou frequência.

 

Tremor

Acredita-se ser o tremor devido principalmente a lesões no cerebelo ou em suas vias, responsáveis também pelo equilíbrio e coordenação. É um movimento involuntário, rítmico, alternado, que em geral acomete os membros superiores, inferiores e a cabeça. Muitas pessoas com EM podem desenvolver tremor, em geral tardiamente, especialmente nos casos com uma resposta parcial ao tratamento. O tremor pode surgir lentamente ou se desenvolver de forma rápida, ocorrendo durante recaída (surto). A EM progressiva pode cursar com tremor que se torna mais acentuado ao longo do tempo.

 

Espasmos

Espasmos são contrações involuntárias súbitas de um músculo ou um grupo muscular resultante de nervos danificados. A maioria dos espasmos ocorrem nas pernas e braços. Os espasmos podem ser dolorosos, necessitando de uma abordagem específica tanto à base de medicamentos quanto não medicamentosa.

 

Alterações da fala

Podem existir alterações na fala quando ocorrem lesões nas áreas do cérebro que facilitam a expressão da linguagem. Essas dificuldades podem variar desde quase imperceptíveis a muito graves. Em geral ocorrem mais tardiamente no curso da doença, sendo a fala arrastada o problema mais comum. A voz pode tornar-se mais fraca, especialmente no final do dia, nos casos de fadiga, quando você está cansado ou durante períodos de recaída.

Outros problemas de fala incluem fraqueza na voz, pausas longas entre as palavras ou sílabas, falta de compreensão do que está sendo dito e uma incapacidade de recordar o vocabulário e gramática, conhecido como disfasia. Quando o entendimento está intacto mas a pessoa tem dificuldade em articular as palavras, denomina-se  de disartria.

 

Alterações cognitivas

As alterações cognitivas são comuns na EM, mas raramente ocasionam incapacidade permanente. As principais funções cognitivas afetadas são a atenção, memória, velocidade de processamento de informações e a capacidade de perceber a posição de dois ou mais objetos no espaço. Na maior parte das vezes apenas uma das funções cognitivas está acometida e normalmente nem mesmo o paciente a percebe, necessitando de testes específicos para o seu reconhecimento.

 

Alterações da sensibilidade

São muito frequentes os distúrbios sensoriais de alguma natureza, como dormência, sensação de alfinetadas e ardor. Às vezes estas queixas são brandas, mas em outras vezes elas podem ser muito incômodas. Quando um estímulo que não causa dor é capaz de fazê-lo, como por exemplo uma sensação de aperto ou faixas no abdome, são denominados de disestesia e são classificados como sintomas de dor neuropática.

Muito comumente uma alteração sensorial em uma das pernas é o principal sintoma da EM. Por ser branda, pode o indivíduo não dar a devida importância e atribuí-la a “estresse”. Como a forma recorrente remitente é a mais comum forma de EM, o sintoma em geral desaparece espontaneamente, perdendo-se a chance de se fazer o diagnóstico precocemente, na ocasião do primeiro surto.

 

Dor

Este é outro sintoma relativamente frequente, sendo em geral de moderada intensidade. Pode ocorrer como sintoma da neurite óptica (dor ao movimentar os olhos para os lados), na neuralgia trigeminal (uma dor aguda bem intensa de um lado da face), ou por espasmos  ou problemas musculares gerais que conduzem à dor músculo-esquelética. É desencadeada por uma irritação das vias sensoriais que levam estímulos para o cérebro e pode ocorrer com mais freqüência em pessoas idosas ou naqueles com uma longa história de EM.

A dor é classificada como dor neuropática quando ela é decorrente do próprio nervo, ou como dor nociceptiva, quando ela é de origem músculo-esquelética. Em relação à duração pode ser aguda ou crônica: dor aguda é mais intensa, de curta duração ou intermitente e pode se iniciar e terminar também rapidamente. Já a dor crônica é aquela que dura mais de um mês, possui início gradual, flutua em intensidade e às vezes não desaparece completamente, necessitando avaliação por um especialista em dor. Os tratamentos variam em geral de acordo com sua classificação, existindo abordagens para cada uma delas.

 

Problemas visuais

As queixas visuais podem ocorrer em função da neurite óptica, nistagmo e diplopia (visão dupla). Alguns indivíduos podem apresentar perda temporária da visão, dor com os movimentos dos olhos ou pontos cegos. Todos são causados ​​por danos na bainha de mielina que envolve os nervos do olho e / ou sistema nervoso central.

 

Fraqueza muscular

A fraqueza muscular é um sintoma comum na EM. O problema está relacionado à dificuldade do estimulo em transitar ao longo de vias que foram acometidas por lesões inflamatórias, não sendo um problema dos músculos, mas do sistema nervoso. Apesar disso, uma rotina de exercícios físicos é importante, por ajudar na manutenção do tônus ​​muscular.

Fraqueza em ambas as pernas (paraparesia) ou uma das pernas (monoparesia) pode levar a problemas para caminhar e no equilíbrio. A falta do exercício físico pode agravar um quadro de obstipação e ainda a fadiga, por estarem intimamente ligados.

 

Lhermitte

Este sinal recebe o nome do neurologista francês que publicou um artigo sobre essa condição em 1924. Refere-se a uma sensação de choque elétrico, que irradia para as costas e para as pernas quando o pescoço é flexionado. Este é um sinal de lesão do nervo que pode ser vista quando o pescoço está numa posição de flexão e os nervos correspondentes são esticados. A condição está associada com a EM, mas não é considerada como diagnóstico, pois pode ter diversas outras causas, como compressões medulares, trauma medular, deficiência de vitamina B12 dentre outras.

Importante que seja sempre avaliado quando da sua ocorrência para se identificar a causa e o neurologista possa tomar as medidas necessárias.

 

Intolerância ao calor

Esta é uma queixa quase universal na EM. Essa intolerância é tão comum em pessoas com EM que no passado foi utilizado o teste do “banho quente” para diagnosticar a doença. A pessoa mergulhava em uma banheira quente e testava-se para ver se os sintomas neurológicos apareciam ou pioravam. O aumento da temperatura tende a promover uma desaceleração da transmissão nervosa. Danos à mielina significam que os impulsos nervosos já estão sob tensão e, portanto, condições de calor podem provocar uma piora dos sintomas. Estes efeitos podem ser causados ​​por uma mudança na temperatura corporal de muito menos do que 1 grau de diferença.

Podem aparecer embaçamento da visão (conhecido como sintoma de Uhthoff), fadiga, tremor e queixas cognitivas. É importante lembrar que, embora o calor e a umidade possam piorar os sintomas da EM, este agravamento é apenas temporária e nenhum dano tecidual real está sendo causado.

Beber líquidos para evitar a desidratação, de preferência água ou suco de frutas diluído é em geral recomendado. Procurar por um ambiente com ar condicionado ou tomar um banho frio também ajudam.

 

Fadiga

Este é um outro sintoma comum da EM. Pode ser dividida em dois tipos. Um deles, a fadiga primária, é um efeito direto da doença e é causada em parte pelo dano à mielina no sistema nervoso, promovendo a sensação de esgotamento físico ou mental. Fadiga secundária ocorre quando o organismo tenta compensar alguns sintomas como espasmos, dor ou problemas de bexiga que podem resultar em perda de sono. Alguns medicamentos, estresse e depressão também pode causar fadiga, classificada como secundária neste caso.

Para algumas pessoas com EM, é o sintoma que os afeta mais. No entanto, para muitos o cansaço vai e vem e um período de intensa exaustão pode ser seguido por um período com muito mais energia. Algumas pessoas apresentam cansaço súbito e extremo, enquanto outros percebem seus membros pesados. Mesmo a visão e a fala podem piorar, mas temporariamente. Pioras que duram mais de 24h devem ser sempre avaliadas.